Os mercados internacionais caminham para encerrar o segundo trimestre com um dos melhores desempenhos dos últimos anos
O índice MSCI All-World avançou quase 14% no segundo trimestre, registrando seu melhor desempenho para o período desde 2020. A recuperação foi liderada principalmente pelas empresas ligadas à inteligência artificial, que continuam concentrando grande parte do fluxo de investimentos ao redor do mundo.
Nos Estados Unidos, o S&P 500 também acumula alta próxima de 14% no trimestre, enquanto o Nasdaq mantém um desempenho ainda mais forte, impulsionado pelas gigantes da tecnologia. Na Ásia, bolsas como Japão, Coreia do Sul e Taiwan encerram o período com ganhos de dois dígitos, refletindo o forte apetite dos investidores pelo setor de semicondutores e infraestrutura voltada para IA.
Ao mesmo tempo, o cenário macroeconômico passou por mudanças importantes. A reabertura gradual do Estreito de Ormuz, após meses de tensão entre Estados Unidos e Irã, provocou uma queda acumulada de aproximadamente 20% no preço do petróleo ao longo do trimestre, reduzindo parte das preocupações relacionadas à oferta global de energia.
Apesar disso, o foco do mercado voltou a se concentrar na política monetária americana. A combinação entre economia resiliente, inflação ainda persistente e um Federal Reserve mais rígido alterou completamente as expectativas dos investidores, que passaram de projetar cortes de juros para considerar novas altas ainda em 2026.
Esse movimento fortaleceu significativamente a moeda americana. O dólar acumulou valorização de cerca de 1,4% frente às principais moedas globais no trimestre, consolidando-se como um dos ativos de melhor desempenho no mercado cambial.
A força da moeda americana pressionou diretamente outros ativos. O ouro registrou sua maior queda trimestral em mais de uma década, enquanto o iene japonês atingiu seu menor nível em aproximadamente 40 anos, sendo negociado próximo de 162 ienes por dólar, renovando os temores de uma possível intervenção das autoridades japonesas no mercado cambial.
Segundo analistas, a mudança de percepção sobre os juros foi determinante para esse movimento. No início do ano, o mercado esperava uma sequência de cortes nas taxas americanas. Hoje, parte dos investidores já considera plausível um novo aumento ainda nos próximos meses, diante da persistência das pressões inflacionárias e da força da atividade econômica.
As atenções agora se voltam para o Fórum do Banco Central Europeu, realizado em Sintra, Portugal, onde o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, fará um dos discursos mais aguardados da semana. Além disso, investidores acompanham a divulgação dos indicadores de inflação na Europa, os dados de confiança do consumidor e do mercado de trabalho nos Estados Unidos, que poderão definir os próximos passos da política monetária americana.