Por Maria Eduarda Cabral em Quinta, 28 Mai 2026
Categoria: Economia

Mercados recuam com tensão no Golfo e petróleo em alta

Ataques no Oriente Médio pressionam bolsas, fortalecem o dólar e reacendem temores inflacionários 

Os mercados globais perderam força nesta quinta-feira após a escalada das tensões no Oriente Médio abalar a confiança dos investidores em um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.

Novos ataques militares americanos contra alvos iranianos e relatos de ofensivas envolvendo o Kuwait reacenderam as preocupações sobre a estabilidade no Golfo Pérsico e o futuro do tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota essencial para o abastecimento global de petróleo.

O movimento impulsionou os preços da energia e reduziu o apetite por risco nos mercados financeiros. O petróleo Brent chegou a subir até 4% e era negociado próximo de US$ 96,8 por barril, mantendo-se cerca de 33% acima dos níveis anteriores ao conflito.

A incerteza também pressionou os mercados acionários. O índice europeu STOXX 600 recuava 0,8%, enquanto os futuros de Wall Street apontavam queda entre 0,3% e 0,5%, afastando-se das máximas históricas recentes impulsionadas pelo setor de tecnologia.

Além da geopolítica, investidores monitoram o impacto da alta da energia sobre a inflação. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos voltaram a subir, alcançando 4,5%, refletindo expectativas de juros elevados por mais tempo.

A atenção do mercado agora se concentra nos dados do PCE dos Estados Unidos, indicador de inflação preferido do Federal Reserve. As projeções apontam avanço do índice para 3,8%, o maior nível em três anos, reforçando apostas de que o banco central poderá abandonar de vez qualquer sinal de flexibilização monetária.

O cenário fortaleceu o dólar, que permaneceu próximo das máximas recentes frente a outras moedas. O euro perdeu terreno e o iene voltou a se aproximar do nível que já provocou intervenção cambial no Japão.

Enquanto isso, o ouro caiu 1,5%, para cerca de US$ 4.390 por onça, pressionado pelo avanço do dólar e pela alta dos rendimentos dos títulos, fatores que reduziram temporariamente sua atratividade como ativo de proteção. 

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