O petróleo volta a subir com cessar-fogo frágil e bloqueio no Estreito de Ormuz mantendo risco de oferta
Mesmo após a trégua de duas semanas entre EUA e Irã, a paralisação do tráfego marítimo e novos ataques na região impedem alívio duradouro nos preços da energia
Os preços do petróleo avançaram mais de 3% nesta quinta-feira, à medida que o mercado voltou a incorporar um prêmio de risco geopolítico diante das incertezas sobre a efetividade do cessar-fogo no Oriente Médio. Apesar do acordo temporário entre EUA e Irã, persistem dúvidas sobre a retomada do fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz, rota por onde normalmente passa cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo.
Os contratos do Brent subiram US$ 3,41, ou 3,6%, encerrando próximos de US$ 98,16 por barril, enquanto o WTI americano avançou US$ 4,74, equivalente a 5%, para US$ 99,15. O movimento representa uma recuperação relevante depois da forte queda da sessão anterior, quando ambos haviam rompido para baixo a marca dos US$ 100, impulsionados pelo otimismo inicial com a trégua.
O alívio, porém, durou pouco. Novos bombardeios israelenses no Líbano reacenderam o temor de escalada regional e aumentaram a percepção de que o cessar-fogo segue vulnerável. Para os agentes do mercado, ainda não existe visibilidade suficiente sobre como as negociações entre Washington e Teerã vão se traduzir em fluxo físico de petróleo.
Enquanto isso, os dados de monitoramento marítimo mostram que o trânsito pelo estreito segue praticamente congelado. Apenas um navio-tanque de derivados e cinco graneleiros cruzaram a passagem nas últimas 24 horas, volume muito abaixo da média histórica. Mesmo com mapas de rotas seguras divulgados pelo Irã, armadores continuam cautelosos e exigem mais clareza operacional antes de retomar as travessias.
Mesmo que os embarques sejam retomados, os riscos não desaparecem imediatamente. O mercado segue atento à possibilidade de minas navais, presença militar reforçada e prêmios elevados de seguro, fatores que mantêm os custos logísticos pressionados e sustentam preços mais altos.
A preocupação se estende também à infraestrutura energética fora do estreito. Fontes da indústria relataram ataques iranianos contra ativos estratégicos em países vizinhos, incluindo um oleoduto na Arábia Saudita utilizado justamente como rota alternativa ao bloqueio de Ormuz. Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos também reportaram novos ataques com drones e mísseis.
Ainda assim, parte do mercado começa a trabalhar com um cenário de normalização gradual. Após o anúncio da trégua, o Goldman Sachs revisou para baixo suas projeções do segundo trimestre de 2026, passando a estimar o Brent em US$ 90 e o WTI em US$ 87 por barril, abaixo das previsões anteriores de US$ 99 e US$ 91, respectivamente.
O ponto central, agora, é que o mercado ainda não consegue precificar um cronograma confiável para a reabertura plena do Estreito de Ormuz. Até que isso aconteça, a volatilidade deve continuar elevada, e qualquer ruído diplomático ou militar tende a gerar novas ondas de alta no petróleo.
Comentários: