S&P 500 e Nasdaq recuam com venda de ações de tecnologia e temor de juros mais altos nos EUA
Setor de semicondutores lidera perdas em Wall Street, enquanto investidores reavaliam os gastos bilionários com inteligência artificial
O mercado acionário americano operou em queda nesta terça-feira (23), pressionado por uma forte realização nas ações de tecnologia. O movimento reflete tanto a crescente expectativa de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve quanto questionamentos sobre o ritmo dos investimentos em inteligência artificial financiados por dívida.
O índice Nasdaq liderou as perdas, enquanto o S&P 500 também recuou para os menores níveis em mais de uma semana. A correção atingiu principalmente empresas ligadas ao setor de semicondutores, que vinha sendo um dos principais motores da alta recente do mercado.
Entre os destaques negativos, Nvidia, Intel, AMD e Marvell Technology registraram quedas expressivas. Fabricantes de memória como Micron e SanDisk também sofreram forte pressão, ampliando o movimento de realização após meses de valorização impulsionada pela corrida da inteligência artificial.
Segundo analistas, o mercado começa a questionar se os investimentos bilionários anunciados por grandes empresas de tecnologia serão capazes de gerar retorno compatível com as avaliações atuais.
Além da pressão sobre o setor tecnológico, os investidores seguem ajustando suas expectativas para a política monetária dos Estados Unidos. Após os sinais mais agressivos emitidos pelo Fed sob a liderança de Kevin Warsh, os mercados passaram a considerar a possibilidade de dois aumentos de juros até o fim do ano.
O ambiente de juros mais elevados tende a reduzir a atratividade de empresas de crescimento acelerado, especialmente aquelas com avaliações elevadas e forte dependência de financiamento para expansão.
Apesar da correção recente, o S&P 500 ainda caminha para registrar seu melhor desempenho trimestral em seis anos, sustentado pelos resultados corporativos robustos e pela redução das tensões no Oriente Médio.
Nesta semana, as atenções se voltam para a divulgação do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), indicador de inflação preferido do Fed. O dado poderá oferecer novas pistas sobre os próximos passos da autoridade monetária e definir o rumo dos mercados no curto prazo.
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