Recuperação de veículos e clima mais favorável impulsionam fevereiro, enquanto guerra no Oriente Médio ameaça o segundo trimestre
As vendas no varejo dos Estados Unidos registraram em fevereiro o maior avanço em sete meses, sinalizando que o consumo seguia resiliente antes do impacto mais intenso da guerra entre EUA, Israel e Irã. O desempenho foi impulsionado principalmente pela recuperação nas compras de veículos, promoções no setor e temperaturas mais amenas, que favoreceram categorias ligadas ao consumo discricionário.
Segundo o Departamento de Comércio, as vendas avançaram 0,6% no mês, acima da expectativa de 0,5% do mercado e após a queda revisada de 0,1% em janeiro. O resultado marca a maior alta desde julho do ano passado e reforça a leitura de que a economia americana iniciou o ano em base sólida.
Apesar do dado positivo, o mercado já olha para frente com cautela. A escalada do conflito no Oriente Médio elevou o preço global do petróleo em mais de 50% desde o fim de fevereiro, levando a gasolina nos EUA a ultrapassar US$ 4 por galão pela primeira vez em mais de três anos. Esse choque de energia tende a reduzir a renda disponível das famílias e pode limitar parte do impulso do consumo nos próximos meses.
A alta foi disseminada entre diferentes segmentos. As concessionárias de veículos lideraram o movimento, com crescimento de 1,2%, enquanto lojas de roupas e acessórios avançaram 2%. O varejo online também mostrou força, com alta de 0,7%, e os postos de gasolina subiram 0,9%, refletindo tanto maior demanda quanto preços mais elevados.
As chamadas vendas essenciais, que excluem automóveis, combustíveis, materiais de construção e alimentação fora do lar (e têm correlação mais direta com o PIB) subiram 0,5% em fevereiro após avanço de 0,2% em janeiro. O número sugere que o consumo das famílias ainda sustentava a atividade antes da deterioração provocada pela guerra.
O ponto de atenção agora está no segundo trimestre. Economistas avaliam que, caso os preços da energia permaneçam elevados por mais tempo, parte do ganho recente pode ser revertida, enfraquecendo o ritmo de crescimento da economia americana depois de um quarto trimestre já mais fraco.