Wall Street apaga perdas da guerra, mas petróleo ainda pressiona títulos e ouro

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Wall Street apaga perdas da guerra, mas petróleo ainda pressiona títulos e ouro

Bolsa americana volta ao nível pré-conflito, enquanto energia cara mantém pressão sobre juros globais, moedas e mercados importadores

Foto: GettyImages

À medida que o conflito no Oriente Médio se aproxima da oitava semana, os mercados globais começam a seguir trajetórias diferentes. Em Wall Street, as ações já recuperaram todas as perdas acumuladas desde o início da guerra, mas os preços ainda elevados do petróleo seguem pressionando títulos públicos, ouro e economias mais dependentes de energia importada.

O S&P 500 encerrou a segunda-feira em 6.886,24 pontos, acima do fechamento de 27 de fevereiro, antes do início dos ataques ao Irã. Desde a mínima registrada em 30 de março, o índice já acumula alta de 9%, impulsionado pelo cessar-fogo da semana passada, pela expectativa de retomada das negociações e pela percepção de que a temporada de balanços, especialmente no setor de tecnologia, deve mostrar resiliência.

O movimento também reduziu a aversão a risco. O VIX, conhecido como o "termômetro do medo" de Wall Street, retornou aos níveis anteriores ao conflito, depois de ter atingido a maior marca em mais de dez meses em março.

Apesar da recuperação das bolsas, o mercado físico de energia segue distante da normalização. O petróleo ronda os US$ 100 por barril, ainda cerca de 40% acima do patamar do fim de fevereiro. No curto prazo, refinarias seguem pagando mais de US$ 140 pelo barril do Brent do Mar do Norte para entrega imediata, quase o dobro do valor praticado antes da guerra.

Mesmo os contratos futuros mais longos indicam pressão persistente. Os vencimentos para dezembro projetam preços próximos de US$ 83, mas ainda estão 21% acima dos níveis pré-guerra, sinalizando que o mercado segue embutindo prêmio geopolítico relevante.

Essa pressão sobre a energia tem mantido os mercados de renda fixa sob estresse. O rendimento dos títulos do Tesouro americano de dois anos está ao redor de 3,76%, cerca de 40 pontos-base acima do fim de fevereiro, refletindo a percepção de que bancos centrais terão menos espaço para cortar juros.

O ouro, por sua vez, também perdeu força. O metal permanece quase 10% abaixo dos níveis anteriores ao conflito, pressionado por realização de lucros e pela reprecificação das expectativas de juros globais.

No câmbio, o dólar praticamente devolveu todos os ganhos obtidos durante a escalada militar. O índice da moeda americana voltou ao nível de 27 de fevereiro, enquanto euro e libra recuperaram quase integralmente as perdas recentes, sustentados pela precificação de juros mais altos na Europa e no Reino Unido.

A divergência também aparece entre regiões. Mercados exportadores de energia seguem favorecidos. No Brasil, o principal índice da bolsa acumula alta de 5% desde o início da guerra, enquanto o real avançou 2,7% frente ao dólar no período.

Já economias importadoras continuam pressionadas. O STOXX 600 europeu ainda opera 2,6% abaixo do nível pré-guerra, enquanto o DAX alemão recua 5%, refletindo o impacto do custo energético sobre a indústria.

Em resumo, a guerra já parece superada para Wall Street, mas seus efeitos seguem vivos no petróleo, nos juros e na redistribuição global de fluxo entre países exportadores e importadores de energia. 

 

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Quarta, 15 Abril 2026

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