Por Maria Eduarda Cabral em Terça, 24 Março 2026
Categoria: Economia

Wall Street recua com cautela renovada sobre guerra no Oriente Médio

Incerteza geopolítica freia recuperação dos mercados e reacende preocupações com juros e inflação

Os principais índices de Wall Street operaram em queda nesta terça-feira, devolvendo parte dos ganhos da sessão anterior à medida que voltaram as dúvidas sobre uma possível desescalada no Oriente Médio. O movimento reflete um mercado ainda sensível a manchetes e sem convicção sobre o rumo do conflito.

Por volta das 11h02 (horário de Brasília), o Dow Jones recuava 0,67%, o S&P 500 caía 0,62% e o Nasdaq perdia 0,83%, com a fraqueza espalhada por diversos setores.

O recuo acontece após um forte rali no dia anterior, impulsionado por declarações do presidente Donald Trump sobre possíveis avanços diplomáticos com o Irã. No entanto, a falta de confirmação por parte de Teerã e o ceticismo sobre negociações concretas reduziram rapidamente o otimismo.

O cenário segue pressionado pela alta do petróleo, que volta a alimentar temores inflacionários e complica o caminho dos bancos centrais. O Federal Reserve já sinalizou uma postura mais cautelosa, e o mercado praticamente descartou cortes de juros no curto prazo.

Outro ponto de atenção veio do setor financeiro. Empresas de crédito privado, como Apollo Global e Ares Management, limitaram resgates em seus fundos diante do aumento nos pedidos de saque, reacendendo preocupações com liquidez e risco sistêmico. As ações dessas companhias recuaram, contaminando o setor.

A maioria dos segmentos do S&P 500 operou no vermelho, com exceção de energia, que avançou acompanhando a alta do petróleo. O movimento reforça a dinâmica atual do mercado, onde ativos ligados à commodity ganham força enquanto o restante sofre pressão.

Entre os destaques positivos, Jefferies subiu após notícias sobre uma possível aquisição pelo grupo japonês Sumitomo Mitsui. Já a Janus Henderson também avançou após uma proposta de compra revisada.

Apesar do cenário de curto prazo mais pressionado, algumas casas seguem construtivas no longo prazo. O Barclays, por exemplo, elevou sua projeção para o S&P 500 no fim de 2026, apostando na força dos lucros corporativos mesmo diante dos riscos globais.

No geral, o mercado segue em modo reativo, com baixa visibilidade e forte dependência do noticiário geopolítico. Enquanto não houver sinais concretos de resolução no conflito, a volatilidade deve continuar ditando o ritmo dos ativos. 

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