Bolsas avançam apesar das tensões com o Irã, enquanto dólar e petróleo seguem em alta
Mercados mantêm o apetite por ações impulsionadas pela IA, mas negociações no Oriente Médio e risco inflacionário continuam no radar
As bolsas globais operaram em alta nesta sexta-feira, mesmo diante das incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã. O movimento foi liderado pelas ações americanas, que caminham para mais uma semana positiva, sustentadas principalmente pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial e por resultados corporativos sólidos.
O S&P 500 seguiu próximo de máximas históricas e caminha para sua oitava semana consecutiva de ganhos, enquanto os mercados europeus registraram o melhor desempenho semanal desde o início de abril. O índice europeu STOXX 600 avançou 0,43%, acumulando ganho semanal de cerca de 2,8%.
Apesar do otimismo nas bolsas, o cenário geopolítico continua cercado de dúvidas. O Irã e os Estados Unidos ainda divergem sobre questões centrais das negociações, incluindo o controle do Estreito de Ormuz e o destino do estoque de urânio iraniano. Autoridades iranianas se reuniram com representantes do Paquistão para discutir propostas ligadas ao conflito, mas o mercado ainda vê pouca clareza sobre um possível acordo.
Mesmo com esse ambiente incerto, investidores continuam apostando que o impacto econômico do conflito pode permanecer limitado, desde que o petróleo não provoque um choque mais severo sobre o crescimento global.
Os preços da energia voltaram a subir nesta sessão. O Brent avançou cerca de 2,5%, negociado próximo de US$ 105,28 por barril. Ainda assim, o petróleo permanece abaixo dos picos recentes registrados no fim de abril, quando chegou a superar US$ 126.
A alta da energia segue alimentando preocupações com inflação e política monetária. O mercado já precifica mais de 50% de probabilidade de aumento dos juros pelo Federal Reserve ainda este ano, uma mudança importante em relação ao cenário anterior ao conflito, quando predominava a expectativa de cortes nas taxas.
Esse movimento fortaleceu o dólar e pressionou outras moedas. O euro permaneceu próximo das mínimas de seis semanas, enquanto o iene japonês voltou a se aproximar do nível de 160 por dólar, faixa observada com cautela pelos investidores diante do risco de nova intervenção do Japão no mercado cambial.
Analistas alertam que a combinação entre energia cara, expansão fiscal e fortes investimentos ligados à inteligência artificial pode manter a inflação elevada por mais tempo, tornando o ambiente para bancos centrais e mercados financeiros ainda mais desafiador nos próximos meses.
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