Tensões no Oriente Médio elevam os preços da energia, pressionam os títulos e testam o rali das ações de tecnologia
As bolsas globais começaram a semana em queda após novos ataques com drones no Golfo aumentarem a tensão no Oriente Médio. O cenário reforçou as preocupações sobre o fornecimento de energia, enquanto Donald Trump voltou a pressionar o Irã por um acordo. Com o Estreito de Ormuz ainda operando de forma limitada, o mercado teme uma interrupção prolongada no transporte de petróleo e gás.
A reação foi imediata no mercado de energia. O Brent voltou a subir e ficou próximo de US$ 110 por barril, enquanto o petróleo americano passou de US$ 102. A alta do petróleo reacendeu o temor de inflação mais persistente e juros elevados por mais tempo.
Os títulos também sofreram pressão. O rendimento do Treasury americano de 10 anos subiu para 4,63%, maior nível em cerca de 15 meses, enquanto juros de títulos na Europa e no Japão também avançaram. Esse movimento costuma pesar sobre as bolsas porque aumenta o custo do dinheiro e reduz o apetite por risco.
Nos mercados acionários, o clima foi de cautela. O STOXX 600 europeu caiu 0,4%, enquanto os futuros do S&P 500 e do Nasdaq recuaram antes da abertura de Wall Street. Na Ásia, o Nikkei japonês caiu e ações chinesas perderam força após dados econômicos fracos.
Além da geopolítica e dos juros, investidores acompanham uma semana importante para o setor de tecnologia. O mercado aguarda os resultados da Nvidia, que devem testar o fôlego do rali impulsionado pela inteligência artificial. Empresas do varejo, como o Walmart, também entram no radar para medir como a inflação e a energia cara estão afetando o consumo.
Mesmo com a volatilidade, analistas avaliam que o foco do mercado continua o mesmo: inflação elevada, petróleo em alta e juros pressionados, fatores que podem dificultar a continuidade dos recordes recentes nas bolsas globais.