Brent caminha para o maior salto mensal da história enquanto bolsas globais operam em compasso de espera
Os mercados globais começaram a semana em clima de cautela, com o petróleo Brent avançando 2% e se encaminhando para a maior alta mensal já registrada, enquanto investidores seguem monitorando os desdobramentos do conflito no Golfo e seus possíveis impactos sobre inflação, crescimento global e política monetária.
Na Ásia, o movimento foi de aversão ao risco, refletindo a forte dependência da região do petróleo vindo do Golfo. O Nikkei, do Japão, recuou 2,8%, enquanto o índice MSCI Ásia-Pacífico, excluindo Japão, caiu 1,8%. Na Europa, porém, houve recuperação parcial, com o STOXX 600 subindo 0,6%, enquanto os futuros de Wall Street apontavam para uma abertura levemente positiva.
O grande foco do mercado segue sendo o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo. Novas declarações de Donald Trump exigindo a reabertura da passagem reacenderam o temor de novos ataques à infraestrutura energética iraniana, enquanto relatos sobre reforço militar americano mantêm as negociações de paz cercadas de incerteza.
Esse aperto na oferta já começa a se espalhar por diferentes cadeias produtivas. Além do petróleo, commodities como gás natural, fertilizantes, plástico e alumínio registram forte valorização, elevando o risco de repasses inflacionários para alimentos, medicamentos, petroquímicos e transporte.
O Brent alcançou US$ 114,85 por barril, acumulando alta próxima de 59% em março, o que supera até o movimento observado após a invasão do Kuwait em 1990. Já o WTI americano avançou para US$ 101,16.
No mercado de metais, o ouro subiu 1,1%, para US$ 4.542 por onça, retomando parte do protagonismo como proteção em meio à escalada dos riscos geopolíticos e inflacionários.
A pressão sobre energia e commodities também levou os investidores a reprecificarem os juros globais, com atenção especial aos próximos discursos de Jerome Powell e John Williams, além dos dados de varejo, produção industrial e payroll dos EUA previstos para a semana.
No câmbio, o dólar segue sustentado pelo aumento da volatilidade global e pelo fato de os EUA serem exportadores líquidos de energia. O índice do dólar se manteve próximo da máxima de 10 meses, em 100,25, enquanto o euro recuou para US$ 1,1493.