Por Maria Eduarda Cabral em Quinta, 12 Março 2026
Categoria: Mercados

Dólar se aproxima das máximas de 2026 com alta do petróleo elevando temores inflacionários

Volatilidade nos preços da energia fortalece moeda americana e pressiona moedas de países dependentes de importação de petróleo

O dólar voltou a se valorizar nos mercados internacionais, aproximando-se das máximas registradas em 2026, em meio ao aumento da volatilidade nos preços do petróleo e às crescentes preocupações com a inflação global.

A moeda americana avançou pelo terceiro pregão consecutivo, impulsionada pela percepção de que a alta da energia pode pressionar os preços ao consumidor e atrasar cortes de juros pelos principais bancos centrais.

Segundo analistas, o movimento também reflete a busca por segurança em momentos de tensão geopolítica, especialmente diante da continuidade do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

As moedas de países fortemente dependentes da importação de energia foram as mais afetadas. A rupia indiana e o iene japonês perderam mais de 1,5% frente ao dólar, enquanto o euro e o won sul-coreano registraram quedas ainda mais expressivas desde o início da guerra no Oriente Médio.

O euro chegou a ser negociado próximo de US$ 1,1558, perto de seus níveis mais baixos desde novembro. Já o iene japonês ultrapassou momentaneamente a marca de 159 por dólar, aproximando-se de mínimas observadas em 2024.

A valorização do dólar ocorre em paralelo à forte oscilação nos mercados de energia. Os contratos do petróleo Brent chegaram a subir mais de 10%, alcançando cerca de US$ 101,59 por barril, enquanto os preços do gás natural na Europa acumulam alta de aproximadamente 70% desde o início do conflito.

A escalada dos preços ocorre mesmo após a decisão da Agência Internacional de Energia de liberar 400 milhões de barris de petróleo de estoques estratégicos, em uma tentativa de conter a disparada da commodity.

Para investidores, o aumento da energia reacende o risco de inflação global e pode obrigar bancos centrais a reconsiderar seus planos de política monetária. O mercado passou a projetar que o Banco Central Europeu poderia voltar a elevar juros ainda neste ano, enquanto cortes pelo Federal Reserve podem ser adiados.

A incerteza geopolítica também continua no radar dos investidores. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país está em uma "posição muito boa" no conflito com o Irã, embora analistas alertem que a guerra ainda pode se prolongar, mantendo elevada a volatilidade nos mercados de energia e câmbio.

Além das tensões geopolíticas, o sentimento dos investidores também foi impactado por novas investigações comerciais conduzidas pelo governo americano e por preocupações com possíveis aumentos nos níveis de inadimplência no mercado de crédito privado global.

Com esse cenário, analistas esperam que a volatilidade nos preços da energia e nas moedas continue elevada, enquanto os mercados acompanham os próximos desdobramentos da crise no Oriente Médio e suas implicações para a inflação global. 

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