Por Maria Eduarda Cabral em Quarta, 08 Abril 2026
Categoria: Mercados

O ouro atinge a maior cotação em quase três semanas após trégua entre EUA e Irã

Dólar mais fraco e queda do petróleo devolvem força ao metal, enquanto mercado volta a especular cortes de juros nos EUA

O ouro voltou a subir com força nesta quarta-feira e alcançou sua maior cotação em quase três semanas, impulsionado pela desvalorização do dólar e pelo recuo do petróleo após o anúncio de uma trégua de duas semanas entre Estados Unidos e Irã. O alívio momentâneo nas tensões reduziu parte do temor inflacionário que vinha dominando os mercados desde o início do conflito.

No mercado à vista, o metal avançou 1,6%, para US$ 4.779,19 por onça, depois de ter chegado a subir mais de 3% no início do pregão, no maior nível desde 19 de março. Já os contratos futuros com vencimento em junho registraram alta de 2,6%, para US$ 4.805,90, refletindo a retomada da demanda por proteção em um ambiente de juros potencialmente menos pressionado.

Segundo analistas, o cessar-fogo ajudou a esfriar as preocupações com inflação ao derrubar o petróleo para abaixo de US$ 100 o barril, reacendendo as apostas de que o Federal Reserve pode ter mais espaço para reduzir os juros ao longo do ano. Como o ouro não paga rendimento, ele tende a se beneficiar quando o mercado projeta uma política monetária menos restritiva.

"O cessar-fogo está acalmando os mercados e aliviando a pressão. Isso pode abrir caminho para cortes de juros, o que é positivo para o ouro", afirmou Edward Meir, analista da Marex. Apesar disso, ele ressalta que o cenário ainda é frágil, já que a trégua depende de negociações delicadas e pode se desfazer rapidamente caso novas tensões surjam.

Outro fator de suporte veio do câmbio. Com o dólar em queda frente a uma cesta de moedas, o ouro ficou mais acessível para investidores internacionais, ampliando a procura global pelo metal. Esse movimento compensou parte das perdas acumuladas desde o início da guerra, período em que a alta da energia havia reduzido as expectativas de cortes de juros e pressionado os metais preciosos.

O foco do mercado agora se volta para a divulgação da ata da reunião de março do Federal Reserve, além dos próximos indicadores de inflação dos Estados Unidos, como o PCE e o CPI. Esses dados devem ajudar a definir se o atual rali do ouro tem espaço para continuar.

Entre os demais metais, a prata subiu 4,9%, para US$ 76,44 por onça, a platina avançou 4,9%, para US$ 2.054,10, e o paládio disparou 9,1%, para US$ 1.603,13, acompanhando o alívio mais amplo nos mercados globais.

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