Ouro recua com alta do petróleo e pressão de juros mais altos nos EUA

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Ouro recua com alta do petróleo e pressão de juros mais altos nos EUA

Avanço da energia e força do dólar reduzem apetite pelo metal, mesmo em cenário de risco global

Foto: GettyImages

Os preços do ouro registraram queda nesta quinta-feira, pressionados pela disparada do petróleo e pelo fortalecimento do dólar, em um ambiente onde o mercado praticamente abandonou as apostas de cortes de juros nos Estados Unidos em 2026.

O ouro à vista recuava cerca de 1,4% (por volta das 9h13 no horário de Brasília), após chegar a cair mais de 2% durante a sessão. Já os contratos futuros também fecharam em baixa, refletindo a mudança de expectativa dos investidores diante de um cenário mais restritivo.

O principal gatilho veio do petróleo, que voltou a subir mais de 3% e ultrapassou novamente a marca de US$ 100 por barril. A alta reacende temores de inflação persistente, especialmente em meio à continuidade do conflito no Oriente Médio, que segue ameaçando o fluxo global de energia.

Esse movimento tem efeito direto sobre o ouro. Com a inflação pressionada, aumenta a probabilidade de que o Federal Reserve mantenha uma política monetária mais dura por mais tempo, o que fortalece o dólar e eleva os rendimentos dos títulos públicos americanos.

Com isso, o ouro perde atratividade relativa. Um dólar mais forte encarece o metal para compradores internacionais, enquanto juros elevados aumentam o custo de oportunidade de manter um ativo que não gera rendimento.

No mercado de juros, os dados mais recentes mostram uma mudança relevante de expectativa. Segundo a ferramenta FedWatch, há cerca de 38% de chance de alta nos juros até dezembro, enquanto as apostas em cortes praticamente desapareceram, cenário bem diferente do início do ano, quando o mercado esperava reduções ao longo de 2026.

Além disso, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos seguem próximos das máximas em vários meses, reforçando a pressão sobre o ouro.

No campo geopolítico, as incertezas persistem. O presidente Donald Trump voltou a afirmar que o Irã estaria disposto a negociar, enquanto autoridades iranianas indicam que analisam propostas, mas sem intenção concreta de diálogo, um impasse que mantém o mercado em alerta.

Outros metais preciosos acompanharam o movimento de queda. A prata recuou com mais intensidade, enquanto platina e paládio também fecharam no vermelho, refletindo o mesmo ambiente de pressão vindo dos juros e da força do dólar.

 

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Quinta, 26 Março 2026

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