Brent e WTI apagam ganhos iniciais após reportagem sobre possível negociação; mercado monitora Ormuz e alta nos estoques dos EUA
Os preços do petróleo caíram nesta quarta-feira (04), revertendo parte da forte alta recente, após relatos de que representantes iranianos teriam sinalizado abertura a negociações com os Estados Unidos para encerrar o conflito que interrompe o fluxo de energia no Oriente Médio.
Por volta das 13h18 GMT, o Brent era negociado a US$ 80,90 por barril, baixa de 0,6%, depois de ter alcançado US$ 84,48 no início da sessão. O WTI recuava 1,2%, a US$ 74,96, um dia após fechar no maior nível desde junho.
A virada no mercado ocorreu após o The New York Times informar que integrantes do Ministério da Inteligência do Irã teriam feito contato com a Central Intelligence Agency (CIA) para discutir um possível fim das hostilidades. Ao mesmo tempo, o secretário de Defesa dos EUA afirmou que o país estaria "vencendo" o conflito e poderia manter a ofensiva pelo tempo necessário.
Apesar do alívio momentâneo, o fluxo pelo Estreito de Ormuz segue efetivamente bloqueado. A via estratégica concentra cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo, tornando-se o principal foco de risco para o mercado energético.
Ataques cruzados entre forças americanas, israelenses e iranianas atingiram infraestrutura em uma região responsável por quase um terço da produção global. O Iraque, segundo maior produtor da OPEP, reduziu a extração em quase 1,5 milhão de barris por dia, aproximadamente metade de sua produção, por limitações de armazenamento e falta de rotas de exportação. Autoridades indicaram que cortes adicionais podem ocorrer caso as exportações não sejam retomadas.
Nos Estados Unidos, dados do American Petroleum Institute apontaram aumento de 5,6 milhões de barris nos estoques de petróleo na última semana, acima da expectativa de 2,3 milhões. Os números oficiais do governo americano ainda serão divulgados.
Analistas avaliam que, embora o mercado tenha reagido à possibilidade de diálogo, persistem riscos relevantes. Países importadores como Índia e Indonésia buscam fornecedores alternativos, enquanto refinarias chinesas antecipam manutenções para mitigar o impacto da incerteza no abastecimento.
O recuo desta quarta-feira (04) indica que investidores começam a precificar uma eventual desescalada diplomática. Ainda assim, enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado, o mercado de energia seguirá altamente sensível a qualquer novo desdobramento geopolítico.