Por Maria Eduarda Cabral em Quinta, 25 Junho 2026
Categoria: Mercados

S&P 500 e Nasdaq recuam apesar de balanços fortes da Micron; gigantes da tecnologia pressionam mercado

Resultados robustos da Micron e da Qualcomm reforçam a demanda por inteligência artificial, mas não foram suficientes para impedir uma nova realização nas ações das megacaps  

Os principais índices de Wall Street operaram em queda nesta quinta-feira (25), pressionados pelo desempenho negativo das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Mesmo após resultados acima das expectativas da Micron e projeções otimistas da Qualcomm, investidores continuaram cautelosos diante das preocupações com os gastos bilionários em inteligência artificial e a possibilidade de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve.

O S&P 500 recuou 0,38%, enquanto o Nasdaq perdeu 1,20%. Na contramão, o Dow Jones avançou 0,40%, sustentado por ganhos em setores industriais e empresas menos expostas ao segmento de tecnologia.

As maiores pressões vieram das chamadas megacaps. Apple caiu 4,8%, enquanto Nvidia, Microsoft e Alphabet registraram perdas entre 1,5% e 2,7%, apagando o entusiasmo inicial provocado pelos resultados das fabricantes de semicondutores.

Por outro lado, os números divulgados pela Micron reforçaram a percepção de que a demanda por infraestrutura de inteligência artificial segue aquecida. As ações da empresa saltaram 10%, enquanto a Qualcomm avançou 3%, após ambas apresentarem projeções que apontam para forte crescimento dos investimentos em data centers e aplicações de IA.

O movimento também beneficiou outras empresas do setor. Sandisk disparou 10%, enquanto Western Digital e Seagate avançaram mais de 2%, refletindo o otimismo em torno da demanda por chips de memória.

Apesar disso, o mercado continua questionando a sustentabilidade dos investimentos realizados pelas gigantes da tecnologia. Os receios em relação ao financiamento desses projetos, somados à expectativa de uma política monetária mais rígida nos Estados Unidos, seguem limitando o apetite dos investidores pelo setor.

No campo macroeconômico, os dados divulgados trouxeram sinais positivos. O índice de preços PCE, principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve, veio em linha com as expectativas. Já a leitura final do PIB americano mostrou crescimento de 2,1% no primeiro trimestre, acima da estimativa anterior de 1,6%.

Esses números reforçam a percepção de uma economia resiliente, ao mesmo tempo em que mantêm aberta a possibilidade de novos ajustes na taxa de juros. O mercado continua precificando pelo menos uma alta adicional até o final do ano, especialmente após os comentários recentes do presidente do Fed, Kevin Warsh, defendendo uma postura firme no combate à inflação.

Enquanto isso, a queda dos preços do petróleo para níveis abaixo dos observados antes do conflito no Oriente Médio trouxe algum alívio para as expectativas inflacionárias. Ainda assim, os investidores seguem atentos aos próximos pronunciamentos de dirigentes do Federal Reserve em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária.

O resultado do dia mostra um mercado dividido: os fundamentos da inteligência artificial continuam fortes e impulsionam empresas ligadas à infraestrutura tecnológica, mas as avaliações elevadas das gigantes do setor e a perspectiva de juros mais altos seguem gerando volatilidade e limitando o avanço dos índices.

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