S&P 500 perde força com nova pressão sobre tecnologia; mercado aguarda balanço da Micron

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S&P 500 perde força com nova pressão sobre tecnologia; mercado aguarda balanço da Micron

Queda do petróleo trouxe alívio para as bolsas, mas preocupações com juros e os investimentos bilionários em inteligência artificial voltaram a pressionar o setor de tecnologia. 

Foto: GettyImages

Os principais índices de Wall Street encerraram a quarta-feira sem direção única. Depois de iniciar o dia em alta impulsionado pela queda do petróleo, o mercado perdeu força ao longo do pregão, à medida que investidores retomaram as preocupações com as avaliações elevadas das empresas de tecnologia e com a possibilidade de uma política monetária mais rígida nos Estados Unidos.

O S&P 500 recuou 0,12% e o Nasdaq perdeu 0,37%, enquanto o Dow Jones conseguiu se manter em terreno positivo, avançando 0,31%. O movimento refletiu a rotação observada nos últimos dias, com investidores reduzindo exposição às empresas ligadas à inteligência artificial e buscando setores considerados mais defensivos.

O petróleo voltou a cair e atingiu o menor nível desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, impulsionado pela expectativa de normalização do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz. O alívio nos preços da energia beneficiou empresas de turismo e companhias aéreas, que lideraram os ganhos do dia.

Apesar desse cenário mais favorável para a inflação, o setor de tecnologia voltou a ser o principal foco de vendas. O segmento recuou quase 1%, enquanto o mercado aguardava os resultados trimestrais da Micron, uma das empresas mais acompanhadas da cadeia de semicondutores e inteligência artificial.

A maior pressão veio da Cerebras Systems, que despencou 17,5% após divulgar projeções de margens mais fracas para o restante do ano. O movimento reforçou as dúvidas dos investidores sobre a capacidade das empresas ligadas à IA de sustentar avaliações tão elevadas em um ambiente de custos financeiros mais altos.

As preocupações com o financiamento dos investimentos em inteligência artificial continuam dominando o sentimento do mercado. Nos últimos dias, mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado foi eliminado das empresas que compõem o Nasdaq 100, em meio ao receio de que gigantes da tecnologia precisem recorrer cada vez mais ao mercado de dívida para manter seus planos de expansão.

Enquanto isso, setores ligados ao consumo apresentaram desempenho positivo. O segmento de consumo discricionário liderou os ganhos do S&P 500, avançando 1,5%, enquanto ações de construtoras dispararam após decisões políticas ligadas ao mercado imobiliário americano.

Os investidores também seguem atentos ao Federal Reserve. Segundo dados do CME FedWatch, o mercado passou a considerar uma probabilidade crescente de dois aumentos de juros até o fim do ano, cenário bem mais agressivo do que o projetado poucas semanas atrás.

Agora, todas as atenções se voltam para os dados de inflação medidos pelo índice PCE e para os resultados da Micron. Os dois eventos podem oferecer sinais importantes sobre o ritmo da economia americana, a trajetória dos juros e a capacidade de sustentação da atual corrida por investimentos em inteligência artificial. 

 

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Quarta, 24 Junho 2026

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