Autoridades monetárias globais divulgam nota conjunta em apoio ao presidente do Fed após ameaças do governo dos EUA, elevando a atenção do mercado sobre juros, política monetária e estabilidade financeira
Os chefes dos principais bancos centrais do mundo divulgaram nesta terça-feira (13) uma declaração conjunta em apoio ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, após o governo dos Estados Unidos mencionar a possibilidade de uma acusação criminal contra o dirigente.
Powell está no centro de uma investigação do governo Donald Trump relacionada aos custos da reforma da sede do Fed. O presidente do banco central americano afirma que o episódio está sendo usado como pretexto para ampliar a influência política sobre a política monetária, especialmente sobre a definição da taxa de juros.
No comunicado, líderes do Banco Central Europeu, do Banco da Inglaterra e de outras nove instituições, incluindo o Banco Central do Brasil, afirmaram que Powell agiu com integridade e reforçaram que a independência dos bancos centrais é essencial para a estabilidade econômica, financeira e de preços.
"Estamos em total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu chair, Jerome H. Powell. A independência dos bancos centrais é a pedra fundamental da estabilidade econômica, financeira e de preços no interesse dos cidadãos que atendemos", afirma a nota.
Além do Brasil, o grupo de signatários inclui os bancos centrais do Canadá, Suécia, Dinamarca, Suíça, Austrália, Coreia do Sul e França, além do Banco de Compensações Internacionais. O posicionamento conjunto é raro e evidencia a preocupação global com possíveis interferências políticas na condução da política monetária dos Estados Unidos.