Balanços acima das expectativas aliviam preocupações com inteligência artificial
As bolsas globais voltaram a ganhar força nesta quinta-feira (25), impulsionadas pelos resultados robustos da Micron e pelas projeções otimistas da Qualcomm, que ajudaram a restaurar a confiança dos investidores no setor de inteligência artificial após dias de forte volatilidade.
Depois de uma semana marcada por dúvidas sobre as avaliações elevadas das empresas ligadas à IA, os números divulgados pelas fabricantes de semicondutores reforçaram a tese de que o crescimento dos lucros continua acompanhando o avanço dos investimentos no setor. As ações da Micron dispararam 18% no pré-mercado, enquanto a Qualcomm avançou 12%, reacendendo o apetite por risco em todo o segmento de tecnologia.
O reflexo foi imediato nos mercados asiáticos. O Nikkei japonês avançou mais de 4%, enquanto o Kospi sul-coreano saltou 5,5%. Nos Estados Unidos, os futuros do Nasdaq 100 chegaram a subir mais de 2%, sinalizando uma recuperação após as fortes perdas registradas no início da semana.
Apesar das preocupações recentes com os elevados gastos em inteligência artificial, o mercado voltou a olhar para os fundamentos. "Os lucros são mais importantes do que qualquer outra coisa", destacaram analistas do Barclays, ressaltando que empresas podem continuar sustentando avaliações elevadas desde que a trajetória de crescimento permaneça intacta.
Ao mesmo tempo, o petróleo ampliou sua queda e apagou completamente os ganhos acumulados durante o conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. A retomada gradual do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz reduziu os temores sobre a oferta global da commodity e levou o Brent para a região dos US$ 72 por barril, acumulando queda de aproximadamente 10% na semana.
A descompressão dos preços da energia trouxe algum alívio para as expectativas de inflação e favoreceu o mercado de renda fixa. Ainda assim, os investidores permanecem atentos aos próximos dados de inflação dos Estados Unidos, especialmente ao índice PCE, principal indicador acompanhado pelo Federal Reserve.
Mesmo com a queda dos rendimentos dos títulos americanos, o dólar continua próximo das máximas de um ano, sustentado pelas apostas de que o Fed poderá elevar os juros novamente nos próximos meses. O euro segue pressionado perto das mínimas de treze meses, enquanto o iene permanece próximo dos níveis que aumentam os riscos de uma nova intervenção do governo japonês no mercado cambial.
A força da moeda americana também pesou sobre o ouro, que voltou a cair e passou a ser negociado abaixo de US$ 4.000 por onça pela primeira vez em 2026.