Petróleo dispara e bolsas recuam com incerteza sobre cessar-fogo entre EUA e Irã
Escalada de tensões no Estreito de Ormuz volta ao centro das preocupações e aumenta a volatilidade global
Os preços do petróleo avançaram com força enquanto as bolsas globais recuaram nesta segunda-feira, refletindo a crescente incerteza sobre a manutenção do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e o aumento das tensões no Estreito de Ormuz.
O barril do Brent subia cerca de 5%, sendo negociado próximo de US$ 94,92, em meio ao temor de interrupções no fluxo global de energia. Ao mesmo tempo, o índice global MSCI recuava 0,26%, enquanto o europeu STOXX 600 caía 1,1%. Os futuros do S&P 500 também operavam em queda, com recuo de 0,54%.
O movimento foi impulsionado por novos episódios de tensão na região. Os Estados Unidos informaram a apreensão de um cargueiro iraniano que tentava romper o bloqueio, enquanto o Irã prometeu retaliar. Em paralelo, ambos os países mantiveram restrições ao tráfego marítimo, aumentando a incerteza sobre a segurança da principal rota global de petróleo.
Dados de navegação indicam que o tráfego no Estreito de Ormuz ficou praticamente paralisado, com apenas três travessias registradas em um período de 12 horas. No sábado, mais de 20 embarcações haviam cruzado a região, marcando o maior volume desde o início de março.
O cenário reforça a leitura de um mercado altamente sensível a qualquer sinal vindo da região. Mesmo após o alívio registrado na sexta-feira, quando o Irã indicou a reabertura do estreito, parte do otimismo foi revertida, embora não completamente.
A perspectiva para novas negociações também se deteriorou. O Irã rejeitou a retomada imediata de conversas de paz, poucas horas depois de o presidente Donald Trump afirmar que enviaria representantes para discutir um possível acordo e mencionar a possibilidade de novos ataques.
No mercado de renda fixa, os rendimentos dos títulos soberanos voltaram a subir. O yield do Treasury de 10 anos avançava para 4,26%, enquanto o título equivalente alemão subia para 2,99%, refletindo a pressão inflacionária associada à alta da energia.
O dólar, por sua vez, mostrou estabilidade após semanas de queda, sendo negociado ao redor de US$ 1,17 por euro.
Com a agenda econômica da semana trazendo dados de inflação no Reino Unido, vendas no varejo nos Estados Unidos e indicadores de atividade na Europa, investidores seguem atentos. Ainda assim, o foco principal permanece no fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz, visto como o principal termômetro imediato do risco geopolítico e da dinâmica de preços do petróleo.
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