Um ano após o “Dia da Libertação”, dólar recupera força, mas dúvidas estruturais persistem

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Um ano após o “Dia da Libertação”, dólar recupera força, mas dúvidas estruturais persistem

Moeda americana volta a se destacar como porto seguro em 2026, impulsionada pela guerra e pelo papel energético dos EUA 

Foto: GettyImages

Um ano depois das tarifas do chamado "Dia da Libertação", implementadas pelo presidente Donald Trump, o dólar voltou a assumir protagonismo nos mercados globais. Em 2026, a moeda americana reencontrou força com a escalada da guerra no Oriente Médio, reforçando novamente sua posição de porto seguro em momentos de estresse geopolítico.

Nos três primeiros meses do ano, o dólar acumulou valorização de 1,6%, seu melhor trimestre desde o fim de 2024, sustentado pela busca global por liquidez e pela vantagem estratégica dos Estados Unidos como exportador líquido de energia em meio ao choque do petróleo.

O movimento marca uma inversão importante em relação ao ano passado. Em 2025, as tarifas anunciadas por Trump, somadas às pressões sobre o Federal Reserve e ao desgaste diplomático com aliados, haviam provocado uma forte correção da moeda. Naquele período, o índice do dólar caiu quase 10%, registrando seu pior desempenho anual desde 2017.

A recuperação recente, porém, não elimina as dúvidas de longo prazo. Analistas seguem monitorando se a atual força do dólar é apenas reflexo do ambiente de guerra ou se representa uma retomada mais duradoura da confiança estrutural na moeda americana.

Um dos principais pontos de atenção continua sendo a composição das reservas cambiais globais. Dados recentes do FMI mostram que a participação do dólar nas reservas dos bancos centrais segue em queda lenta e gradual, enquanto moedas como o euro e o yuan avançam marginalmente como alternativas.

Ainda assim, o consenso do mercado é que essa erosão permanece muito lenta para ameaçar de fato a liderança do dólar no curto e médio prazo. O peso dos Estados Unidos na economia global, nos mercados de dívida e no sistema financeiro internacional continua sendo amplo demais para uma substituição rápida.

Outro vetor crucial é o fluxo de capital estrangeiro para ativos americanos. O volume de investimentos globais alocados em ações, títulos e outros ativos dos EUA segue muito superior ao montante que investidores americanos mantêm no exterior. Essa assimetria historicamente favorece a sustentação do dólar, mas qualquer desaceleração mais forte nesses fluxos pode se transformar em pressão relevante para a moeda nos próximos trimestres.

O cenário, portanto, mostra um dólar fortalecido no presente pela guerra e pelo petróleo, mas ainda cercado por questionamentos sobre sua dominância estrutural no futuro. 

 

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Sexta, 03 Abril 2026

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