Por Maria Eduarda Cabral em Sexta, 29 Mai 2026
Categoria: Mercados

Ações avançam e petróleo recua com expectativa de acordo entre EUA e Irã

Mercados renovam apetite por risco diante de sinais de cessar-fogo e possível reabertura do Estreito de Ormuz

Os mercados globais encerraram a semana em alta, enquanto o petróleo recuou diante das expectativas de um acordo entre Estados Unidos e Irã que possa ampliar o cessar-fogo e normalizar a navegação pelo Estreito de Ormuz.

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, Washington e Teerã concordaram em estender a trégua e suspender restrições marítimas, embora o acordo ainda dependa da aprovação do presidente Donald Trump e não tenha sido oficialmente concluído pelo governo iraniano.

A perspectiva de redução dos riscos geopolíticos pressionou o mercado de energia. Os contratos futuros do petróleo caíram cerca de 2%, caminhando para a maior perda semanal desde o início de abril.

O alívio favoreceu as bolsas globais. O índice MSCI World subiu 0,4% e renovou recorde histórico, apoiado principalmente pelo forte desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial.

O movimento foi liderado pelo setor de semicondutores após previsões mais otimistas da Dell, que reforçaram o entusiasmo com o ciclo de investimentos em IA. As bolsas de Tóquio e Seul avançaram 2,5% e 3,5%, respectivamente, enquanto as ações europeias registraram ganhos mais moderados. Em Wall Street, os futuros operaram próximos da estabilidade após o S&P 500 fechar em nova máxima histórica na sessão anterior.

Apesar do otimismo, investidores seguem cautelosos quanto ao impacto econômico do conflito. Analistas avaliam que, mesmo com um eventual acordo, as pressões inflacionárias provocadas pela alta recente dos combustíveis não devem desaparecer rapidamente.

Os mercados de juros também permaneceram no radar. O rendimento do título americano de 10 anos girava em torno de 4,45%, refletindo a combinação entre inflação elevada e dados econômicos mais fracos nos Estados Unidos.

Na Europa, dados preliminares mostraram que a inflação nas principais economias da zona do euro permaneceu acima da meta do Banco Central Europeu pelo terceiro mês consecutivo, reforçando apostas de política monetária mais restritiva.

No câmbio, o dólar perdeu parte da força da semana, embora o iene continuasse pressionado perto do nível de 160 por dólar, patamar historicamente associado a intervenções das autoridades japonesas. Já o dólar neozelandês registrou forte volatilidade após sinalizações mais duras do banco central do país sobre juros.

Mesmo com a melhora no humor do mercado, o consenso entre investidores é de que a trajetória dos ativos continuará fortemente dependente dos próximos passos diplomáticos entre EUA e Irã e do impacto persistente da energia sobre a inflação global.

Publicações Relacionadas

Deixe o seu comentário