Ações e bitcoin se estabilizam enquanto mercado reavalia euforia com IA
Investidores monitoram riscos do boom tecnológico, dados fracos dos EUA e apostas em cortes de juros
Os mercados globais caminham para a maior queda semanal desde novembro, após a forte correção em Wall Street se espalhar pelo mundo. Mesmo com alguma recuperação no fim do dia, o índice MSCI global sobe apenas 0,1% no dia e acumula queda de cerca de 1,6% na semana.
O principal fator por trás da volatilidade é a mudança de percepção sobre a euforia da inteligência artificial. O anúncio de cerca de US$ 600 bilhões em investimentos em IA por Amazon, Microsoft, Google e Meta gerou preocupação sobre custos, retorno e possíveis impactos negativos em setores como software e dados.
O mercado começou a questionar se a fase de entusiasmo com a IA perdeu força. A queda recente das empresas de tecnologia reforçou esse movimento, com a Microsoft acumulando perda próxima de US$ 1 trilhão em valor de mercado desde o fim de janeiro, em um episódio que investidores passaram a chamar de "software-mageddon".
Nos Estados Unidos, dados mostraram que demissões anunciadas dispararam em janeiro e atingiram o maior nível para o mês em 17 anos, aumentando o receio sobre a força da economia. Apesar disso, os futuros de S&P 500 e Nasdaq subiram, indicando possível alívio após três dias seguidos de queda.
Na Ásia, as bolsas também sentiram o impacto, com o índice da região (ex-Japão) em queda. Na Europa, o Stoxx 600 conseguiu se recuperar e voltou ao positivo após começar o dia em baixa.
As criptomoedas reagiram após forte liquidação, recuperando parte das perdas de um movimento que já retirou cerca de US$ 2 trilhões do mercado desde outubro. O Bitcoin subiu cerca de 5% para US$ 66 mil, enquanto o Ether avançou mais de 4%.
Os metais preciosos também reagiram, com prata subindo cerca de 4% após forte queda e o ouro avançando mais de 2%.
Os investidores agora voltam a atenção para as eleições no Japão, que podem influenciar o iene e os títulos públicos, especialmente diante da possibilidade de política fiscal expansionista no país.
Nos EUA, aumentaram as apostas de que o Federal Reserve pode cortar juros em março, embora a maioria ainda espere manutenção. A probabilidade de corte subiu para 16,7%, ante 9,4% no dia anterior.
O dólar recuava levemente, enquanto o petróleo Brent caía para cerca de US$ 67.
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