Ações globais recuam e petróleo sobe após mercado ignorar nova sinalização de Trump
Investidores mantêm cautela com guerra no Oriente Médio, pressionando bolsas e elevando juros globais
Os mercados globais voltaram a cair nesta sexta-feira, mostrando que a tentativa do presidente Donald Trump de aliviar as tensões no Oriente Médio não foi suficiente para restaurar a confiança dos investidores.
A decisão de adiar o prazo para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz teve pouco efeito prático. O mercado reagiu com ceticismo, especialmente diante da ausência de sinais concretos de negociação por parte de Teerã e da continuidade das ameaças sobre rotas estratégicas de energia.
Na Europa, o índice pan-europeu recuou cerca de 1%, enquanto o mercado alemão também registrou perdas relevantes. Na Ásia, as bolsas acompanharam o movimento, com quedas generalizadas durante a madrugada.
Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 chegaram a ensaiar recuperação, mas inverteram o sinal e passaram a cair, após uma forte queda na sessão anterior. O Nasdaq, mais sensível ao cenário de juros, já acumula perdas expressivas e se aproxima de território corretivo.
O pano de fundo segue sendo a escalada do conflito. Relatos indicam a possibilidade de envio de mais tropas americanas à região, o que aumenta o risco de um confronto mais amplo. Além disso, o Irã voltou a rejeitar propostas dos EUA, reforçando a percepção de impasse.
Com isso, o petróleo voltou a subir. O Brent avançou cerca de 2,5%, ultrapassando os US$ 110 por barril, refletindo o temor de interrupções prolongadas no fornecimento global, especialmente em uma região responsável por grande parte da energia mundial.
O impacto já é visível também no mercado de juros. Os rendimentos dos títulos públicos dispararam, com o Treasury de 10 anos nos EUA atingindo seu nível mais alto desde julho, em torno de 4,46%. Na Europa, os títulos alemães também alcançaram máximas de longo prazo.
Esse movimento indica uma mudança relevante de expectativa. O mercado agora começa a precificar a possibilidade de novos aumentos de juros, diante do risco de inflação persistente impulsionada pela energia. O índice do dólar também avançou, registrando mais um dia de alta, reforçando o movimento defensivo dos investidores.
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