Bolsas globais recuam enquanto petróleo dispara com risco de colapso do cessar-fogo no Irã
Mercados operam sob pressão após Donald Trump afirmar que a trégua entre EUA e Irã está "por um fio"
Os mercados globais iniciaram a terça-feira em queda, enquanto o petróleo avançou pelo terceiro pregão consecutivo diante da deterioração do cenário geopolítico no Oriente Médio.
O movimento ganhou força após Donald Trump afirmar que o cessar-fogo de um mês entre Estados Unidos e Irã está "por um fio", sinalizando que as negociações seguem distantes de um acordo definitivo. A fala reacendeu os temores sobre possíveis bloqueios no Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás.
Com isso, o Brent disparou quase 4% e voltou a se aproximar dos US$ 108 por barril. O mercado passou a precificar um risco maior de interrupções prolongadas no fornecimento de energia, especialmente após o fracasso das tentativas recentes de avanço diplomático entre Washington e Teerã.
As bolsas reagiram negativamente ao aumento da tensão. Na Europa, o STOXX 600 caiu 0,6%, enquanto os futuros de Wall Street apontavam abertura em baixa. O Nasdaq futuro liderava as perdas, refletindo também uma realização nas ações de tecnologia após semanas de forte valorização impulsionada pelo setor de semicondutores e inteligência artificial.
Na Ásia, o KOSPI recuou cerca de 3,5%, devolvendo parte da alta recente. O movimento marcou uma desaceleração no rali das empresas de chips, que vinha sustentando o apetite por risco nos mercados globais.
Os investidores também acompanham a viagem de Trump à China, que começa nesta quarta-feira. Apesar das expectativas moderadas, o mercado espera sinais de estabilidade nas discussões envolvendo Irã, comércio internacional, inteligência artificial e minerais estratégicos.
Além da geopolítica, a atenção está voltada para os dados de inflação dos Estados Unidos. A expectativa é de que o índice de preços ao consumidor mostre aceleração em abril, impulsionada principalmente pela alta da energia.
Isso reforçou o receio de que o Federal Reserve mantenha os juros elevados por mais tempo ou até considere novas altas caso a inflação continue pressionada.
Os rendimentos dos títulos globais avançaram, especialmente no Reino Unido, onde a pressão política sobre o primeiro-ministro Keir Starmer aumentou após derrotas eleitorais recentes. O rendimento dos títulos britânicos de 30 anos atingiu o maior nível desde 1998, enquanto a libra esterlina caiu frente ao dólar.
Nos mercados cambiais, o dólar ganhou força diante das principais moedas, refletindo a busca dos investidores por proteção em meio ao aumento da aversão ao risco.
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