Preços de importação dos EUA sobem 0,8% em março e guerra com Irã mantém pressão no radar
Avanço moderado em março não elimina pressão de combustíveis, fretes e custos de construção sobre a economia americana.
Os preços de importação dos Estados Unidos subiram 0,8% em março, abaixo da expectativa de alta de 2,0%, mas o mercado segue atento ao impacto mais forte que a guerra entre EUA, Israel e Irã deve trazer para os próximos meses.
O dado veio após avanço revisado de 0,9% em fevereiro e ainda não capturou totalmente a disparada recente do petróleo, já que a coleta considera preços próximos ao primeiro dia útil do mês. Desde o fim de fevereiro, a commodity acumula alta superior a 35%, pressionada pelo bloqueio ao Estreito de Ormuz e pelas restrições no fluxo marítimo.
Entre os componentes, os combustíveis importados avançaram 2,9%, enquanto os alimentos subiram 0,5%. Excluindo alimentos e energia, o núcleo dos preços de importação teve alta de 0,6%, reforçando a percepção de que a pressão já começa a se espalhar para outras cadeias.
A leitura do mercado é que esse movimento deve aparecer com mais força no índice de preços de abril e contaminar também o PCE, principal métrica de inflação acompanhada pelo Federal Reserve. As estimativas apontam alta de 0,7% em março, levando a taxa anual para 3,5%.
Com isso, as apostas em corte de juros continuam perdendo força. O mercado já trabalha com probabilidade reduzida de afrouxamento monetário ainda neste ano, enquanto parte dos dirigentes do Fed voltou a discutir a possibilidade de novas altas caso o choque energético persista.
O mercado imobiliário também começou a sentir os efeitos. O índice de confiança das construtoras caiu para 34 em abril, o menor nível em sete meses, enquanto a taxa média da hipoteca de 30 anos avançou para 6,37%, pressionando a precificação de imóveis e os custos de novos projetos.
A avaliação entre economistas é que o dado de março trouxe alívio apenas parcial. Com energia, fretes e insumos ainda em alta, a tendência é de pressão adicional sobre inflação, juros e atividade nas próximas leituras.
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